Amor de carnaval – ato I

Pois é. Muitas coisas me emocionam e o amor é uma delas. O amor de mãe, o amor de pai e filho, o amor entre a família. O amor a um clube de futebol, a uma filosofia, a um projeto. O amor ao próximo. Mas me refiro, nesse momento, ao amor entre um homem e uma mulher. Independente se você é daqueles que acredita que o amor só se vive uma vez. Ou então se acredita que o amor pode se renovar, de diferentes formas, por diferentes pessoas, mas em tempos diferentes.

Dei-me conta que esse tipo de amor é uma das coisas que me emocionam quando me foi perguntado por um grande amigo em um bar, semana passada “Tem algo que te faz perder a marra e chorar que nem criança?”. Pois bem, tem.

Amor. Amor de amor, amor por amor, amor maior. Amor que é amor. Amor de Johnny e June que se declara e pede em casamento em cima do palco, mesmo após receber 40 vezes a mesma resposta.

Era Carnaval. A festa da perdição, da alegria, do sorriso, a festa mais esperada pelo homem, pelo Brasil, pelo mundo. Liberdade.

A bateria tocava sob os comandos do mestre, a sua frente, com apito na boca e baquetas nas mãos. Quem puxava o samba pediu a pausa, e ele levantou as mãos, segurou o samba, para então o homem que detinha o microfone falar:

- Queria dar os parabéns para a nossa primeira-dama. A namorada do nosso mestre que aqui comanda a bateria…

Disse o nome do casal, a garota um pouco longe do ocupado namorado, acenou e agradeceu. O namorado também acenou, mas para a bateria, que voltou a tocar enquanto as milhares de pessoas cantavam o parabéns para a tal primeira-dama.

Nesse momento, o mestre teve de abandonar a bateria. Essa seguiu tocando, enquanto ele virara as costas para ela e foi em direção a aniversariante. Tímida, dançando, sorrindo e comemorando seu aniversario em pleno carnaval, ela o recebeu de braços abertos, sorriu, e foi recebida com um grande beijo.

Baquetas nas mãos e um amor entre os braços, repique pendurado nos ombros que não pesavam nenhum grama naquele momento. O ambiente estava mais leve.

Depois, em uma leitura labial iniciante, eu entendi e vi um par de “eu te amo” vindo dali. O amor me emociona, realmente. Não tem como eu bancar o cara mais forte do mundo e esquecer disso, essa é a verdade.

E para quem não sabe aproveitar o Carnaval, ou a vida, namorando ou com um amor ao seu lado, está aí. No ritmo mais brasileiro dos carnavais, o amor se mostra. Liberdade. Liberdade para sorrir, para fazer o que bem quiser. Liberdade para amar.

 

 

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